FC Utrecht: o copeiro que assombrou a Holanda no início do século

FC Utrecht: o copeiro que assombrou a Holanda no início do século

Você que acompanha o futebol holandês está careca de saber que quem comanda por lá são Ajax, PSV e Feyenoord, que formam a santíssima trindade do país.

Você também sabe que (muito) de vez em quando um time fora do trio belisca alguma competição, porém a maioria dos clubes fazem igual a um golfinho: sobe, faz uma graça e afunda de novo, o que não é o caso do FC Utrecht do início do século.

Copa da Holanda 2001/2002

O Utreg fez uma campanha sólida: de cara um 4×1 com autoridade sobre o Excelsior, com gol de Dirk Kuyt, já demonstrando que seria um atacante de nível mundial.

Nas quartas, o batido da vez foi o Heerenveen, com gols de Bosschaart, Gluščević e, como não poderia deixar de ser, Kuyt também deixou o dele naquele 3×1 de virada.

FC Utrecht
Kuyt já despontava como estrela do futebol holandês no FC Utrecht.
Foto: Twitter/@hipsterfootypod

Nas semis, a equipe treinada por Frans Adelaar encararia o time B do Ajax, conhecido como Jong Ajax, que contava com jogadores que viriam a estourar mais tarde, como Steven Pienaar e outros que viviam uma ótima fase como o alemão/angolano Nando Rafael.

O jogo foi sofrido e os Cupfighters conseguiram passar nos penaltys para encarar o “Ajax de verdade” na finalíssima em Roterdã.

O fato é que o Utrecht perdeu essa final, mas a forma como a derrota veio foi com requintes de muita crueldade, pois após Mido marcar o primeiro gol para o Ajax, a equipe ainda conseguiu virar com dois gols de Gluščević.

E quando a taça já parecia ser uma realidade…

Nos acréscimos do segundo tempo, o brasileiro Wamberto empatou para o Ajax e com cinco minutos do primeiro tempo da prorrogação a então jovem estrela Zlatan Ibrahimović fez gol de ouro que deixou a torcida do Utreg incrédula. O título havia sido perdido.

Seria o Utrecht um time golfinho?

Copa da Holanda 2002/2003

Na temporada seguinte, com praticamente o mesmo elenco, a única mudança foi no comando: sai Frans Adelaar para a chegada de Foeke Booy, que tinha a missão de catar os cacos da derrota para o Ajax.

FC Utrecht
Foeke Booy
Foto: Wikipédia

O vexame passou muito perto quando o pequeno De Graafschap fez 2×0 logo na estreia da Copa da Holanda, sorte que a equipe teve brio para buscar a virada com gols de Roiha, Kuyt e Jochemsen. (Ufa!)

Passado o susto, o Domstedelingen não teve problemas para bater o, agora freguês, Excelsior por 3×1 nas quartas de final com gols de Jochemsen, van den Bergh e Schut.

Nas semifinais, o desafio era o PSV e o Utrecht sabia que teria que “capinar sentado” para vencer um time desse calibre e o desfecho do jogo até que começou de forma inesperada.

Van den Bergh abriu o placar para o Utreg aos 16 da primeira etapa e Stefaan Tanghe ampliou com 12 do segundo tempo. Faltando meia hora para acabar o jogo, Kezman diminuiu para o PSV, mas parou por aí: a equipe de Booy conseguiu segurar a pressão do time de Eindhoven e de novo seguia para a final da Copa da Holanda.

Na decisão, um desafio tão grande quanto o das semifinais, pois pela frente havia o Feyenoord, que além de ter batido o algoz Ajax na fase anterior, ainda jogava na sua casa, o De Kuip, estádio que sempre abriga a final da Copa da Holanda.

Eu não sei como é “não dar sopa para o azar” em holandês, mas foi exatamente o que o Utrecht fez naquela final, pois com uma hora de jogo, já metia um verdadeiro chocolade no Feyenoord.

O meia de Jong abriu a contagem no final do primeiro tempo, seguido pelos dois tentos do sérvio Gluščević, aos 4 e 12 da segunda parte. Kalou diminuiu para o gigante de Roterdã e coube a Dirk Kuyt, justamente ele que viria a ser um ídolo no Feyenoord, colocar a pá de cal ao fazer o 4×1 que deu o segundo título da história da Copa da Holanda para o FC Utrecht.

Se esse post terminasse por aqui já estaria bonito, mas ainda teria mais, pois essa equipe era tudo menos um time golfinho.

Copa da Holanda 2003/2004

Para a temporada 2003/2004, o Utreg perdeu um dos seus melhores jogadores, Dirk Kuyt vendido ao Feyenoord por 1 milhão de Euros. Sandro Calabro e Hans van de Haar foram os nomes que chegaram para suprir a perda do ídolo.

Com um de van de Haar e dois de Stefaan Tanghe, os comandados de Booy bateram o RKC Waalwijk e seguiram sem problemas para as quartas de final.

O eliminatória frente ao Heracles Almelo aparentava ser tranquila, o que na prática passou longe disso, pois o Utrecht saiu perdendo e quando conseguiu a virada com os gols de van den Bergh e van de Haar sofreu o empate.

Faltando nove minutos para o apito final, coube ao belga iluminado Stefaan Tanghe fazer o tento que colocou o clube mais uma vez nas semifinais da Copa da Holanda.

Na teoria, o Sparta Rotterdam não era nenhum grande obstáculo para o Utreg, porém dessa vez foi (bem) mais sofrido. O tempo normal acabou em 2×2, com Donny de Groot e van den Bergh marcando para os Cupfighters.

Logo aos seis do primeiro tempo da prorrogação o Sparta fez 3×2, lembrando que a regra do gol de ouro já não existia mais, o que deu a chance da equipe correr atrás.

Nove minutos foi o tempo que levou para que Joost Broerse marcasse e colocasse o Utrecht de volta no jogo, porém parou por aí, a partida foi para os penaltys e mais uma vez, com sofrimento, veio a vaga na final da Copa da Holanda pelo 3º ano seguido.

Você deve estar observando que nessa trajetória o Utreg não pegou nenhum time dos “3 grandes” da Holanda, porém isso não fazia a decisão contra o Twente ser mais fácil.

O Twente havia eliminado o Feyenoord nas quartas de final e o NAC Breda na semifinal. E por mais que o NAC não seja um grande, ele havia tombado Ajax e PSV na sua campanha.

Realmente foi uma pedreira, pois depois de mais de uma hora de jogo sem gols, coube ao também iluminado Dave van den Bergh mandar uma bomba de muito longe no ângulo do gol do Twente, fazendo explodir os torcedores no De Kuip, dentre eles Dirk Kuyt.

Esse gol saiu aos 21 do segundo tempo e a partir daí a coisa esquentou, o que resultou na expulsão de Jeroen Heubach, capitão do Twente, o que deixou tudo mais fácil.

Assim, quando Roelof Luinge ergueu o braço e deu o apito final estava mais do que claro que o Football Club Utrecht não era um time golfinho e ergueu a segunda taça consecutiva da Copa da Holanda, terceira na sua história.

Depois dessa curta era de ouro…

Foto: PRO SHOTS

O FC Utrecht só voltaria à final da Copa da Holanda doze anos depois, na temporada 15/16, após uma campanha onde chegou a bater o PSV nas quartas de final, mas perdeu para o Feyenoord na decisão por 2×1.

Na temporada 19/20 o Utreg chegou mais uma vez na final da Copa da Holanda após deixar para trás o Ajax na semifinal, porém devido à pandemia de COVID-19 a partida que seria contra o Feyenoord foi cancelada.

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Equipe FCA

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