Feyenoord 2002: O último holandês campeão europeu

Feyenoord 2002: O último holandês campeão europeu

Quando se fala de futebol holandês a nível europeu é normal se lembrar do Ajax e seu tricampeonato seguido em 71, 72 e 73 da Copa dos campeões da Europa sob a batuta de Johan Cruijff.

O Ajax é inclusive o último time da Holanda a ter levantado uma UEFA Champions League em 1995, porém ele não é o último do país a ter erguido um título europeu.

O Feyenoord Rotterdam também já levantou uma Copa dos Campeões em 1970, dando um início a quatro anos de domínio holandês na competição continental.

Feyenoord 2002
Feyenoord campeão da Copa dos Campeões da temporada 69/70.
Foto: BNA Photographic / Alamy Stock Photo

Os anos 70, realmente, foram uma era de ouro para o país, pois além dos quatro títulos da Copa dos Campeões, Feyenoord e PSV também foram campeões da Copa da UEFA em 74 e 78, respectivamente, fechando uma década de seis títulos continentais.

Depois disso, o Ajax ganharia a antiga Recopa europeia na temporada 86/87, a Copa da UEFA na 91/92 e a já citada Champions na 94/95.

O PSV também conquistou o maior título da sua história ao levantar a Copa dos Campeões da Europa em 1988.

Depois de 95 veio o jejum de títulos que duraria sete anos e que só foi quebrado pelo Feyenoord em 2002.

O clube de Roterdã não vinha de uma temporada muito boa, já que, apesar de ser vice campeão holandês, ficou 17 pontos atrás do campeão PSV na temporada 2000/2001.

Some a isso ainda ter sido eliminado nas quartas da Copa da Holanda, para o Heerenveen, na 3ª eliminatória da Champions, para o Sturm Graz, da Áustria e na mesma fase da Copa da UEFA, para o Stuttgart.

Com isso, o treinador Bert van Marwijk, aquele mesmo que viria a ser vice da Copa de 2010 com a seleção da Holanda, teria muito a fazer na sua segunda temporada no clube para alçar voos maiores.

Para a temporada 2001/2002 chegavam a Roterdã alguns nomes que viriam a marcar história no clube, como o de Pierre van Hooijdonk, vindo Benfica por 2.5 milhões de euros e do japonês Shinji Ono, do Urawa Reds por 5.5 milhões.

Feyenoord 2002
Bert van Marwijk e Pierre van Hooijdonk.
Foto: elfvoetbal.nl

Lembrando que o clube já contava com jogadores como Jon Dahl Tomasson, Bonaventure Kalou e a jovem estrela Robin van Persie.

Diferente da Liga Europa de hoje em dia, a Copa da UEFA era apenas mata-mata e a final teria como sede nada menos do que o De Kuip, estádio do Feyenoord.

O estádio do Feyenoord é conhecido como De Kuip (A banheira, em holandês).
Foto: q-park.nl

Feyenoord 2002: O início

O clube estreou na 3ª eliminatória batendo o Freiburg com um triunfo de 1×0 na Holanda e um um empate de 2×2 na Alemanha. Ono, Hooijdonk e o brasileiro Leonardo marcaram os gols que abriram o caminho para a próxima fase.

Nas oitavas, o desafio era o tradicional Rangers da Escócia, que contava com jogadores como Ronald de Boer, Caniggia e Tore Andre Flo e, dessa vez, os vermelho e brancos tiveram que sofrer.

Depois de um empate de 1×1 no Ibrox Stadium, os comandados de van Marwijk suaram, mas levaram a melhor na partida da volta no De Kuip vencendo por 3×2. Mais uma vez, Ono e Hooijdonk foram os destaques dos confrontos.

Feyenoord 2002: Clássico nacional

Nas quartas, um clássico que iria fazer a Holanda tremer entrava no caminho do De Trots van Zuid: o PSV de Kezman e Van Bommel.

Foram dois confrontos equilibrados e intensos: 1×1 tanto na ida em Eindhoven, como na volta em Roterdã, com Hooijdonk, como de costume, sendo decisivo nas partidas.

Em uma disputa de penaltys também acirrada, brilhou a estrela do goleiro Zoetebier, que catou o penalty de Gakhokidze abrindo o caminho para Hooijdonk fazer a cobrança decisiva que colocou o Feyenoord nas semis.

A semifinal seria contra um gigante europeu, a Internazionale de Milão, com uma equipe estrelada por nada menos do que Ronaldo fenômeno, Seedorf e Javier Zanetti, para citar apenas três.

A primeira partida deu o tom de como o clube holandês estava iluminado, pois conseguiu bater a Inter em pleno Giuseppe Meazza com um gol do mais iluminado ainda Pierre van Hooijdonk.

Na volta, Hooijdonk e Tomasson marcaram seus gols bem cedo e, apesar de um pequeno drama com a Inter empatando no final no jogo, o 2×2 foi mais do que suficiente para a sonhada final em casa.

A Final

O dia 8 de maio de 2002 foi inesquecível para o torcedor do Feyenoord que enfrentou o Borussia Dortmund na final da Copa da UEFA na sua casa, o De Kuip.

Escalações de Feyenoord e Borussia para a final.
Imagem: PeeJay

O Borussia contava com jogadores de primeira grandeza como o brasileiro Amoroso e os tchecos Rosicky e Jan Koller, que também eliminaram um gigante de Milão nas semifinais, no caso o estrelado Milan com direito a um 4×0 no jogo de ida.

Se precisava de mais alguma prova de que o Feyenoord estava iluminado ela veio logo aos 34 do primeiro tempo, quando Jürgen Kohler errou bisonhamente na saída de jogo e deu a bola de presente para Tomasson.

Sem outra alternativa, o alemão fez um penalty que lhe rendeu um cartão vermelho por ser uma chance clara e manifesta de gol, conhecida popularmente como “último homem”.

Tão iluminado quanto, Hooijdonk bateu firme no canto direito do goleiro Jens Lehmann para abrir o placar e ele voltaria a anotar outro sete minutos depois, após uma cobrança de falta perfeita que passou pela barreira e caiu, de novo, no canto direito do arqueiro alemão.

Amoroso diminuiu no comecinho do segundo tempo de penalty, mas a resposta veio rápido com Tomasson aparecendo cara a cara com o goleiro Lehmann, fuzilando para fazer o 3×1 e explodir a torcida no De Kuip.

Koller diminuiu de novo como uma pintura de fora da área faltando mais de meia hora para acabar o jogo e o Feyenoord sofreu esse tempo todo até o português Vitor Melo Pereira dar o apito final. O sonho virou realidade.

O Feyenoord Rotterdam era o campeão da Copa da UEFA da temporada 2001/2002 na sua casa, terceiro troféu europeu da história do clube, que, desde então, foi o último time holandês a erguer uma glória europeia e, obviamente, faltou cerveja em Roterdã naquela noite.

Paul Bosvelt levanta a Copa da UEFA da temporada 2001/2002 para o Feyenoord.
Foto: Reuters

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Equipe FCA

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