Entrevista com Nils Petersen, atacante da Alemanha no Rio16

Entrevista com Nils Petersen, atacante da Alemanha no Rio16

Por: Alexander Rodrigues

Gostaríamos de agradecer ao Sascha Glunk, assessor de imprensa do SC Freiburg, que foi o responsável por essa entrevista acontecer.

Nós do FCA tivemos a honra de falar com um jogador importante da Alemanha, Nils Petersen, que já jogou em grandes clubes e atuou pela seleção alemã quebrando recordes.

O doloroso penalty perdido na final olímpica, espionagem brasileira no seu estilo de jogo e a sensação de jogar no Bayern de Munique foram alguns dos tópicos dessa excelente entrevista que você confere abaixo.

Primeiro de tudo, muito obrigado por tirar esse tempo para conversar com a gente, Nils. Gostaríamos de começar falando sobre o início da sua carreira.

Quem foi o seu principal incentivador? Houve algum jogador em que você se inspirava?

“Meu pai sempre me deu apoio, ele sempre me levava para tudo o que é jogo desde que eu era bem novo, além disso eu sempre pude treinar com adultos mesmo quando eu era jovem em ligas de nível superior, e por isso ele foi o meu grande incentivador na minha juventude.”

Depois de uma ótima temporada no Energie Cottbus, você teve a chance de jogar no Bayern de Munique, um dos maiores clubes do mundo.

O quanto a sua vida mudou no período que você esteve no Bayern? Você chegou a ter problemas com privacidade?

“Sim, principalmente a percepção de fora sobre o ambiente no qual eu estava e com isso eu fiquei conhecido em toda a Alemanha, com muitas expectativas sobre mim .”

Entrevista com Nils Petersen
Em um ano de Bayern, Nils Petersen fez 4 gols em 15 jogos.
Foto: reiszeitung.de

Por que você não ficou mais tempo no Bayern? Foi sua decisão ir para o Werder Bremen?

Sim, eu realmente queria jogar mais. Aquele ano no Bayern estava ok, com pouco tempo de jogo e com o time fazendo uma ótima Bundesliga e Copa da Alemanha, mas outro ano desse na idade que eu estava seria um tempo perdido no meu desenvolvimento.”

“Por isso que o Bremen chegou na hora certa, porque era o time ideal para mim com grande prestígio na Alemanha e esse foi o motivo de eu ter ficado muito interessado.”

Nils Petersen fez 72 jogos pelo Bremen marcando 18 gols. 
Foto: Reprodução
Nils Petersen fez 72 jogos pelo Bremen marcando 18 gols.
Foto: Reprodução

Como você avalia o seu período no Werder? Um clube tradicional que teve grande sucesso no final dos anos 90 e 2000 que não consegue voltar aos bons momentos.

“Naquela época o Werder tinha Thomas Schaaf, um grande treinador e por isso eu fui para lá. Eu marquei onze gols e dei oito assistências e nós tivemos um ótimo ano com De Bruyne e outros ótimos jogadores como Arnautovic, Elija e Sokratis. Nós realmente tínhamos um time muito bom!”

Thomas Schaaf
Ser treinado por Thomas Schaaf foi fundamental para Petersen escolher o Werder Bremen. Foto: PA Photos

Sobre o Werder não conseguir voltar aos bons tempos, Petersen falou:

“Sim, esse é um problema por um bom tempo, pois você sempre vai se comparar com os anos vitoriosos. A questão é que o Werder teve momentos incríveis com jogadores como Diego Ribas, Micoud, Naldo e tantos outros que foram comprados por um preço baixo e vendidos por quantias grandes. Esse era um ótimo sistema somado com o fato de sempre o clube disputar Champions League ou Liga Europa .”

Porém…

“Então, do nada, é como se fosse uma pequena rachadura, pois o clube não conseguiu mais ir bem no mercado de transferências e aos poucos foi caindo na tabela da Bundesliga e primeiro você tem que lidar com isso ao longo dos anos para poder voltar aos tempos de vitória .”

 Diego Ribas
O brasileiro Diego Ribas foi ídolo no Werder.
Foto : picture-alliance

Os números e suas atuações mostram que você vive o melhor momento da sua carreira desde que chegou no Freiburg. Quais foram os principais fatores que possibilitaram você explorar o máximo do seu talento?

“Existem muitos fatores, como por exemplo, fazer três gols na minha primeira partida contra o Frankfurt, o que me deu um ótimo começo aqui. Não é fácil cair logo nas graças da torcida e isso foi simplesmente sensacional, pois tivemos altos e baixos aqui como o rebaixamento e a ótima última temporada na Bundesliga .”

Petersen também falou sobre sua relação com torcedores, clube e a cidade de Freiburg.

“É uma grande satisfação, do nada você tem uma experiência insana que gera uma identificação, pessoas gostam muito de você também e isso acontecia quando eu não vinha tendo muito sucesso nos últimos anos, ao mesmo tempo você percebe que ainda tem muito para dar, isso é uma coisa que você quer se agarrar.”

Foi por isso que eu decidi não sair do Freiburg quando o time caiu para a segunda divisão. Ao invés de procurar de novo a minha felicidade em outro lugar eu simplesmente quis manter o que eu tinha naquele momento e agora estou aqui há seis anos.”

“Eu sinto uma conexão com a cidade, que estou em boas mãos e exatamente no tipo de clube que eu procurava, agora muito estável na Bundesliga com capacidade de se desenvolver, além de não ser muito grande em termos de atenção da mídia e muito prazeroso de se trabalhar.”

Nils Petersen
Na temporada 17/18 Nils Petersen foi vice-artilheiro na Bundesliga com a camisa do Freiburg, marcando 15 gols.
Foto: Bundesliga.com

Suas atuações no Freiburg lhe renderam a convocação para a seleção olímpica da Alemanha.

Como foi representar seu país nas Olimpíadas do Rio em 2016? Você já tinha estado no Brasil antes?

“Não, essa foi a minha primeira vez no Brasil, sorte que eu pude ficar um bom tempo para conhecer não apenas o Rio e foi impressionante. Nós quase fomos eliminados na fase de grupos, nos salvando nos últimos segundos. Foram altos e baixos de emoções no final e hoje eu tenho orgulho da medalha de prata .”

Petersen comentou também sobre o penalty que ele perdeu na final contra o Brasil.

‘Claro que foi doloroso no momento, especialmente nos primeiros dias e noites depois do apito final, mas por sorte não era uma Copa do Mundo, onde você decidiria o campeão mundial, era uma disputa de medalha, mas é claro que eu gostaria que fosse a de ouro.”

Nils Petersen
Nils Petersen durante as Olimpíadas de 2016.
Foto: BBC

Na fase de grupos contra Fiji você marcou cinco gols na goleada de 10-0 da Alemanha, como foi o sentimento? Você já tinha feito isso antes?

“Não no nível profissional, provavelmente já devo ter feito quando estava nas categorias de base, eu nunca havia marcado cinco gols em uma partida e aquele foi um ótimo jogo.”

Não sabemos se você já tem essa informação, mas o penalty que você perdeu contra o Brasil na final olímpica foi fruto de muita pesquisa do departamento de análise de desempenho do Brasil.

Bebeto Sauthier, ex- jogador do Fortuna Colônia quase ficou louco pesquisando para qual canto você batia, pois dos últimos oito, você tinha batido quatro para cada lado.

A conclusão foi que quando o jogo estava resolvido você batia de uma forma, mas em situações tensas você batida de outra. Então, foi passado ao goleiro Weverton que você provavelmente bateria no canto esquerdo dele.

A pergunta é: Você já conhecia essa história? Eles acertaram ou foi pura sorte?

“Essa é nova! É melhor eu tomar cuidado para que ninguém entre na minha cabeça de novo e saiba o jeito que bato quando a partida está fácil ou difícil, mas independente de qualquer coisa é muito legal ver o tipo de trabalho que está por trás disso que premiou a seleção brasileira. Eles trabalharam muito para fazer a diferença naquele penalty, que valeu muito a pena. Fica o meu respeito pela pessoa que descobriu onde eu bateria .”

Junto com a comissão de análise de desempenho, Bebeto Sauthier foi quem “entrou na cabeça” de Petersen e ajudou o Brasil a ganhar o ouro olímpico.
Foto: Divulgação

Quais são os planos para o futuro? Gostaria de jogar no Brasil?

“Os estádios são ótimos, eu não imaginava que fosse assim, eu sempre tive grandes companheiros de time como Rafinha e outros, foram quatro semanas impressionantes em um país muito animado, mas eu vejo meu futuro na Alemanha e depois disso espero continuar no futebol do jeito que for, mas enquanto eu tiver condições de jogar e marcar gols vamos ver até onde eu vou.”

Ainda tem contato com os brasileiros que você jogou?

“Tive um pouco de contato com o Naldo e tive uma boa relação com o Rafinha, porém o contato não é regular, mas pelas redes sociais você sempre troca uma mensagem .”

Petersen e Rafinha na época de Bayern.
Foto: dpa picture alliance archive / Alamy Stock Photo

Para finalizar, você recebeu muitas mensagens de brasileiros depois da final Olímpica?

“Sim, sim. Algumas foram bastante sarcásticas, mas também houve muitos que falavam: “Obrigado por nos fazer esquecer a desgraça do 7×1.” (risos)

Petersen treinando seu português no nosso site.

Nós do FCA agradecemos muito o ótimo papo que tivemos com Nils Petersen e desejamos o melhor para o atleta na sua carreira.

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