Villa Española: campeão fora de campo

Villa Española: campeão fora de campo – No futebol há um endeusamento tão grande por jogadores, clubes e seleções que conquistaram muitas coisas que na cabeça de muitos esse é o único sentido de vencer.

Sendo assim, se procurarmos estudar sobre a história do Club Social y Deportivo Villa Española logo o rotularíamos como um time nanico e assim nem nos interessaríamos por saber mais.

É verdade que na sala de troféus da agremiação, que leva o mesmo nome do seu bairro, você não vai achar taças de ligas uruguaias, tão pouco um troféu reluzente da Copa Libertadores da América.

Os verdadeiros troféus do Villa Espanõla estão fora de campo e é sobre isso que falamos com o diretor do clube Miguel Romero, que gentilmente conversou com o Futebol com Amor.

Olá Miguel, pode nos contar sobre a sua relação com o Villa Española?

“Sinto que estou no clube por toda a minha vida, nasci a uma quadra do antigo estádio do clube, o Parque Saenz, batizado mais tarde como Parque España. Minhas primeiras partidas de futebol foi vendo o Villa Española do final da década de 70 e início de 80, com apenas 5/6 anos.”

Miguel completou falando um pouco do seu tempo como jogador do clube e do seu cargo na direção.

“Na adolescência fui jogador das categorias de base do clube, no ano de 1990, e nesse mesmo ano me tornei sócio do clube de maneira ininterrupta até hoje. Como diretor me vinculei em 2013 quando o clube fazia 5 anos que não jogava por ter dívidas. Nesse ano o clube voltava a competir na terceira divisão e 6 meses mais tarde seria campeão, subindo para a série B e em 2016 chegamos à primeira divisão.”

“Atuei também como delegado do clube na Associação Uruguaia de Futebol (AUF), uma função que mantenho até hoje, mas desde maio de 2018 exerço o cargo de presidente da instituição.”

Aqui no Brasil, a maioria só conhece Peñarol e Nacional, qual é a importância do Villa Española na história do futebol uruguaio?

“É uma pergunta difícil, pois a comparação lógica de todo aquele que ama o futebol são os títulos e os nossos são escassos. Nosso clube cresceu junto ao bairro que tem o mesmo nome, bairro trabalhador e muito relacionado à luta de classes, ajudando socialmente o bairro, por exemplo, nesses tempos de COVID, com alimentos para os mais necessitados.”

O Villa Española faz um trabalho que distribui alimentos aos mais necessitados.

Miguel continuou dando ênfase ao lado social do Villa Española.

“Acredito que a importância que o clube tem na história do futebol uruguaio é ser característico do trabalhador que se diverte jogando futebol, que deixa seus problemas para simplesmente ver as suas cores no campo de jogo.”

Quais são os planos do Villa Española para o futuro?

“Vou tentar não falar muitas frases feitas, mas é difícil. Crescimento social e de infraestruturas. Seguir apoiando e promovendo as categorias de base do clube para os meninos e meninas da nossa sociedade. Realizar a abertura ao futebol feminino, potencializar o atletismo e o boxe que é nosso esporte institucional.”

Você considera justa a forma de distribuição dos prêmios da liga?

“Não existe prêmio das ligas, as distribuições que se têm são por direitos de televisão, patrocínio da AUF, como ingressos de Copa América, Copa do Mundo, etc e pela audiência da televisão. E a distribuição é nefasta.”

Miguel, então explica em detalhes como é feita a distribuição.

“Cada peso se divide em 20 partes, delas se distribui uma por cada clube da primeira divisão e as restantes quatro partes entre as 12 equipes da segunda.”

Qual é o maior ídolo da história do Villa Espanõla?

“Os de maior relevância são aqueles que conquistaram grandes títulos com o clube. Julio Gargiullo, Javier Santos, Miguel Zarate e atualmente Santiago “El Bigote” Lopez, sem dúvidas são alguns dos nomes a destacar.”

Santiago "El Bigote" Lopez é o maior ídolo do Villa Espanõla na atualidade.
Santiago “El Bigote” Lopez é o maior ídolo do Villa Espanõla na atualidade.

É comum ter pessoas que acompanham o Villa Espanõla, mas que também torcem por times gigantes como Peñarol e Nacional?

“Sim, claro, somos uma equipe pequena da série B, nossa vida tem sido marcada por jogar as categorias de acesso e é logico que tenham torcedores compartilhados. Quando o clube conseguiu seu primeiro acesso já haviam passado 57 anos de sua fundação e nunca havíamos jogado contra Peñarol ou Nacional.”

Torcida Villa Espanõla.
Torcida Villa Espanõla.

Como o Villa Española trabalha fora de campo para conseguir novos torcedores?

“Se faz um trabalho com um grupo que integra a comissão de sócios. Além disso, por meio das redes sociais do clube e do site villaespanola.uy temos conseguido uma adesão e fidelidade importante nos tempos recentes.”

Para finalizar, Miguel nos contou com mais detalhes sobre a cultura social do clube e ainda sobre uma certa relação com o Brasil.

“O clube está muito comprometido com inúmeras atividades sociais, sem fazer política, mas marcando fortemente nosso sentido de bairro. Na nossa sede funciona a cantina Sócrates, em homenagem a esse grande brasileiro. Nosso clube apoia e acompanha as marchas por detidos que desapareceram na época da ditadura, apoia fortemente o 8M (movimento feminista), atividades relacionadas com a mulher, o movimento LGBT e muitas ações sociais que envolvem toda nossa sociedade.”

A Equipe FCA agradece a disponibilidade do amigo Miguel Romero. Sucesso ao clube!

Se você curte, ou quer saber mais sobre o futebol uruguaio, nós também conversamos com o diretor de um dos clubes mais antigos do Uruguai, o Albion F.C. Clique aqui e veja a entrevista com Juan Alvarez.

Gostou do material?  Compartilhe com seus amigos.

Equipe FCA

Instagram: @FutebolComAmorbr

Twitter: @FutebolComAmor

Facebook: FutebolComAmor

Canal no Youtube: FutebolcomAmorSite

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *