RCD Espanyol: o periquito atrevido

RCD Espanyol: o periquito atrevido – É impossível não ligar a cidade de Barcelona e a região da Catalunha ao FC Barcelona, afinal, para muitos, ele representa toda a identidade catalã e se coloca sempre a favor da independência da região que pertence à Espanha.

Esse fato faz com que muitos achem que o Barça seja o único time que representa a região, porém também existe outro clube que já fez a Catalunha se orgulhar algumas vezes. Vamos conhecer hoje o Espanyol de Barcelona.

RCD Espanyol: o periquito atrevido

Diferente de outros clubes da época que contratavam vários britânicos, o Espanyol quando fora fundado por alunos da Universidade de Barcelona, em 28 de outubro de 1900, só contava com jogadores catalães.

Na sua origem, ganhou o nome de Sociedad Española de Fútbol, que foi mudado meses depois para Club Español de Fútbol.

Equipe do RCD Espanyol de 1904.
Equipe do RCD Espanyol de 1904.

No ano de 1912 mudou de novo por um motivo nobre, quando o Rei Afonso XIII concedeu a vários times a possibilidade de incorporar uma coroa ao seu escudo, com isso passou a se chamar Real Club Español de Fútbol.

É impressionante como a história de mudanças de nome do clube se confundem com a da própria Espanha, pois após a abdicação de Afonso XIII e o advento da república, todos os times retiraram o prefixo “Real” de seus nomes.

Com isso, a agremiação aproveitou para adotar um nome mais nacionalista e escrito em catalão, surgia assim o Club Esportiu Espanyol, nomenclatura que durou até 1937, após o golpe do general Franco.

Esse fato impactou diretamente o clube, pois no novo governo totalitário era oficialmente proibido qualquer cultura que não fosse a espanhola, o que obrigou a equipe a mudar mais uma vez, agora para Real Club Deportivo Español.

Nesse período, o clube era acusado de estar alinhado com o governo de Franco, pois diferente do Barcelona, o clube não se afirmou como um representante da cultura catalã.

Vinte anos depois da morte de Franco, o clube retornou ao seu nome catalão e desde 1995 se chama Reial Club Deportiu Espanyol de Barcelona.

O curioso é que a palavra “Deportiu” não existe em catalão, e foi criada apenas para manter a sigla RCD, que já era uma marca do clube.

Essa demora para voltar às origens reforçou mais um pouco a imagem de que o time estava do lado do antigo general.

As cores branca e azul, tradicionais no seu emblema e uniforme foram adotadas em alusão ao brasão do Almirante Roger de Lluria, figura histórica da região.

Camisa do RCD Espanyol da temporada 19/20.
Camisa do RCD Espanyol da temporada 19/20.

De 1923 a 1997, mandou os seus jogos no Estádio Sarriá. O clube se viu obrigado a vender o estádio e mudar de lugar por questões financeiras e passou a jogar no Olímpico Lluís Companys até 2009, quando o sua nova casa foi inaugurada, o Estádio Cornellà-El Prat.

Estádio Cornellà-El Prat.
Estádio Cornellà-El Prat.

O time que tem um periquito como mascote, teve a sua primeira grande conquista em 1929 ao ser campeão da Copa do Rei, batendo nada menos do que o Real Madrid na final.

Onze anos depois viria a segunda conquista ao erguer novamente a Copa Nacional na temporada 1939/40, de novo, derrotando os merengues no jogo decisivo.

RCD Espanyol campeão da Copa do Rei de 1929.
RCD Espanyol campeão da Copa do Rei de 1929.

Depois de visitar a segunda divisão, o RCD viveu um momento lindo de sua história na temporada 87/88, quando chegou à final da Copa da UEFA, liderados por Thomas N’Kono e Ernesto Valverde.

Deixando pelo caminho “apenas” o Milan de Gullit e Van Basten, porém acabou de forma amarga, pois depois de fazer 3-0 no primeiro jogo frente ao Bayer Leverkusen, parecia certo o primeiro título europeu da história.

Ledo engano! Os alemães conseguiram devolver o placar no segundo jogo em casa, vencendo posteriormente nos penaltys.

O RCD Espanyol chegou perto de ser campeão europeu.
O RCD Espanyol chegou perto de ser campeão europeu.

No ano de seu centenário, o Espanyol fez várias celebrações, inclusive até vencendo a seleção da Argentina em um amistoso, mas nada se compara à emoção de levantar a terceira Copa do Rei de sua história, na temporada 99/00.

Com ótimas atuações do romeno Constantin Gâlcă e do artilheiro Raúl Tamudo, o RDC mais uma vez eliminou o Real nas semis e derrubou o Atlético de Madrid na final. Lembrando que os pericos já amargavam 60 anos sem ganhar nada.

RCD Espanyol campeão da Copa do Rei de 2000, ano de seu centenário.
RCD Espanyol campeão da Copa do Rei de 2000, ano de seu centenário.

Ainda bem para os Alviazuis que não demorou tanto para saborear uma conquista novamente, pois em 2006, mais uma vez capitaneados por Tamudo e jovem Luis Garcia, o clube catalão ergueu o quarto troféu de Copa do Rei.

Tamudo recebendo o troféu da Copa do Rei de 2006.
Tamudo recebendo o troféu da Copa do Rei de 2006.

Na Copa da UEFA da temporada seguinte, uma emoção familiar: o RCD teve uma trajetória exuberante no torneio continental.

Na fase de grupos, se classificou em primeiro com uma campanha perfeita de quatro vitórias em quatro jogos, ficando à frente do gigante holandês Ajax.

Depois eliminou nas quartas outro titã, o Benfica de Portugal. Na semifinal, despachou o forte time alemão do Werder Bremem. Na decisão, perdeu para um rival local, o Sevilla, mais uma vez nos penaltys.

RCD Espanyol finalista da Copa da UEFA de 2007.
RCD Espanyol finalista da Copa da UEFA de 2007.

RCD Espanyol

Jogadores históricos

RCD Espanyol: o periquito atrevido

Raúl Tamudo

Raúl Tamudo

Maior artilheiro da história do clube com 140 gols, vice campeão da Copa da UEFA de 2007 e bicampeão da Copa do Rei em 2000 e 2006.

RCD Espanyol: o periquito atrevido

Ricardo Zamora

Ricardo Zamora

Um dos maiores goleiros do futebol espanhol,  destaque do primeiro título de expressão do Espanyol, a Copa do Rei de 1929.

RCD Espanyol: o periquito atrevido

Thomas N’Kono

Thomas N'Kono

Goleiro camaronês, que atuou no clube de 82 a 91, disputando 241 jogos com a camisa dos pericos, sendo vice-campeão da Copa da UEFA de 88.

John Lauridsen

John Lauridsen

Meia dinamarquês atuou por 6 anos no RCD, somando 214 jogos e um vice-campeonato europeu em 88.

Daniel Jarque

Daniel Jarque

Ex-capitão do Espanyol que disputou 173 jogos pelo clube catalão, sendo campeão da Copa do Rei de 2006. Em 2009, teve uma parada cardíaca enquanto estava na concentração ao telefone com a sua namorada grávida de 7 meses.

Dani já fora encontrado sem vida. Em sua homenagem, no minuto 21 de todas as partidas, a torcida do Espanyol aplaude em lembrança ao jogador que usava o número.

O centro de treinamento da equipe e o estádio do time B foram rebatizados com seu nome.

Na final da Copa do Mundo de 2010, ao marcar o gol que daria o título mundial à Espanha, Andrés Iniesta tirou a camisa e nela estava uma homenagem ao eterno capitão, que você pode ver na foto abaixo.

 Andrés Iniesta

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