Kunishige Kamamoto – o maior artilheiro do Japão

Kunishige Kamamoto – o maior artilheiro do Japão – O futebol japonês evoluiu de forma tremenda ao longo dos anos. Principalmente, se colocarmos como o ponto de virada a Copa do Mundo de 2002, onde jogando em casa, os samurais azuis conseguiram ascender às quartas de final.

Nos tempos atuais, japoneses atuando em times de ligas grandes pelo mundo é uma coisa bem comum. Óbvio quem existe um interesse em entrar no mercado asiático por parte das equipes que assinam com esses jogadores, mas a evolução da técnica salta aos olhos.

Por isso, é impressionante ver que o maior artilheiro de todos os tempos da seleção japonesa é de uma época muito distante do presente, onde o Japão produziu jogadores como Nakata, Nakamura, Nagatomo, Honda, Kagawa e Okazaki.

Okazaki, inclusive, que sempre atuou em ligas ricas da Europa, na data que essa matéria foi produzida está 30 gols atrás do recorde, somando o fato de estar com 34 anos, a tendência é que nunca chegue perto do personagem do nosso post, Kunishige Kamamoto.

Kunishige Kamamoto

O Início

Kunishige Kamamoto nasceu em Kyoto, em 15 de abril de 1944, quando o império do Japão ainda lutava ao lado do Eixo, na Segunda Guerra Mundial, que só acabaria pouco mais de um ano depois.

Kamamoto começou sua carreira em uma época onde as universidades eram muito fortes na futebol local. Jogando pela Universidade de Waseda, o atacante mostrara cedo sua capacidade goleadora.

Durante quatros anos seguidos foi o artilheiro do torneio regional de universidades da região de Kanto, mas ainda viria algo maior na sua carreira.

Em 1963 e 1966 ele levou sua universidade a levantar o troféu da Copa do Imperador, honraria de nível nacional que existe até hoje no país asiático.

Kunishige Kamamoto

Seleção Japonesa

Durante esse período, em 64, Kunishige Kamamoto teve a sua primeira convocação para a seleção japonesa, onde já estreou marcando um gol contra Singapura.

No mesmo ano foi convocado para as Olimpíadas que seriam disputadas no país. Ele chegou a marcar o seu golzinho, mas pouco podia fazer além de ter levado o Japão à segunda fase, onde foi varrido de cara pela Tchecoslováquia.

 Kunishige Kamamoto jogando pelo Japão.
Kunishige Kamamoto começou bem na seleção.

O lado bom foi estar presente na vitória frente a Argentina, na primeira fase. Também fez parte do grupo japonês que disputou os jogos asiáticos de 66, terminando em terceiro lugar.

No ano de 66, além do segundo título nacional, Kamamoto completou o curso de artes, deixando a Universidade de Waseda rumo à Japan Soccer League.

Kunishige Kamamoto

Começando como profissional

Em 67 se juntou ao único clube ao qual devotaria toda a sua carreira, o Yanmar Diesel, clube fundado em Osaka, pela empresa do mesmo nome que vende motores em geral. Hoje em dia é o Cerezo Osaka da J-League.

 Kunishige Kamamoto jogando pelo Yanmar.
Kunishige Kamamoto jogou todos os 17 anos de sua carreira profissional no Yanmar

A partir do seu segundo ano, Kamamoto deslanchou como jogador, pois foi artilheiro da liga em 68, além de levantar mais uma Copa do Imperador, marcando o gol decisivo na final. Na mesma temporada disputou a sua segunda olimpíada, na cidade do México.

Kunishige Kamamoto

O maior feito da carreira

Essa competição foi memorável, tanto para Kamamoto quanto para o Japão. Logo no primeiro jogo, um 3×1 sobre a Nigéria, com três gols do atacante.

Somado aos empates de 1×1 com o Brasil e 0x0 com a Espanha, Kamamoto conseguiu, pela segunda vez consecutiva, avançar com sua seleção, só que dessa vez viria mais.

Nas quartas de final, Kamamoto marcou o primeiro e o segundo gols da vitória histórica de 3×1 sobre a França. Nas semis, pouco podia ser feito contra uma Hungria avassaladora que viria a ser medalha de ouro, restava a decisão de terceiro lugar frente aos donos da casa.

Contra os mexicanos, Kamamoto marcou os dois gols que deram a medalha de bronze aos japoneses e de quebra saiu como artilheiro do torneio, com sete gols. Em 2018, esse time entrou para o hall da fama do futebol japonês.

Kamamoto comemorando a conquista da medalha de ouro em 68.
Kamamoto comemorando a conquista da medalha de ouro, em 68.

Depois de conquistar a sua quarta Copa do Imperador e marcar três gols na campanha de quarto lugar da seleção nos jogos asiáticos, em 1970, o atleta levou o Yanmar ao seu primeiro título da Liga Japonesa, sendo o artilheiro da competição em 71.

No ano de 74, marcou três gols nos jogos asiáticos, onde o Japão não passou da primeira fase. Por outro lado, a nível de clubes o atacante continuava “on fire” mesmo passando dos 30 anos, o que para aquela época era fim de carreira.

Em 74, veio a dobradinha, ganhando a liga e a Copa do Imperador no mesmo ano, a sexta da carreira. Em 75, mais um título da Liga, ou seja, dois anos e três títulos, uma média nada mal.

Por ser o campeão japonês, Kamamoto veio ao Brasil com o Yanmar, em 75, disputar uma partida comemorativa contra o Palmeiras, no Pacaembu, onde entregou as faixas de campeão paulista para o alviverde.

Aposentadoria

No ano de 1977, veio a sua aposentadoria da seleção japonesa. Foram incríveis 80 gols em 84 jogos com a camisa da seleção da terra do sol nascente.

Em 78, já com 34 anos, Kamamoto virou treinador e jogador ao mesmo tempo do Yanmar Diesel, levando o clube a mais um título da Liga em 1980, porém o tempo já começava a chegar para o incrível atacante.

Em 82, o agora professor/atleta rompeu o tendão de aquiles duas vezes, e apesar de ter sido campeão da Copa da Liga Japonesa em 83 e 84, aos 40 anos, ele anunciou que estava pendurando as chuteiras e ao mesmo tempo deixando o cargo de treinador do Yanmar.

Kunishige Kamamoto é até hoje o maior artilheiro da seleção japonesa com incríveis 80 gols, recorde que ainda vai durar por muito tempo. Mas a sua carreira por clubes também foi sensacional.

Kamamoto voltaria ao futebol em 91, para treinar o principal rival do Yanmar, o Matsushita Electric, que posteriormente viraria Gamba Osaka. Em 94, sem nenhuma conquista, deixou o clube para ingressar na carreira política. No ano seguinte foi eleito deputado.

Em 1998, assumiu o cargo de vice-presidente da Associação Japonesa de Futebol, contribuindo para a evolução do futebol japonês, que ele não viveu em seus tempos de jogador.

Em 2009, teve uma rápida passagem pelo Fujieda MYFC e, desde então, nunca mais esteve envolvido com o esporte, mas o seu legado no futebol do país asiático é eterno.

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Equipe FCA

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