Ibra/Larsson/Ljungberg – O trio que podia mais?

Ibra/Larsson/Ljungberg – Na história da seleção sueca não faltaram ótimos jogadores que marcaram o seu nome na história do futebol, não só do país, como internacionalmente, inclusive, não aparecendo apenas de forma aleatória, como na mesma era.

Por isso, olhar para atrás e lembrar que uma seleção que contava com Ibra/Larsson/Ljungberg não tenha conseguido resultados como os de outrora, causa um certo espanto, e é sobre isso que falaremos nesse post.

Os resultados dos Blågult foram ótimos para uma nação do seu tamanho e muitos desses vieram através de jogadores que partilharam do mesmo cenário com o seu talento no máximo ou muito perto disso.

De longe, o trio formado por Gunnar Gren, Gunnar Nordahl e Nils Liedholm foi o mais vitorioso do país escandinavo. Imortalizado como trio “Gre-No-Li” foram campeões olímpicos com a Suécia nos jogos de 48, além de terem conseguido o vice-campeonato mundial na Copa de 58.

Foto do Gre-No-Li
Gre-No-Li: Lendas na Suécia e no Milan.

Mesmo que em 58 sem Nordahl , a equipe sueca chegou à final de uma Copa do Mundo e foi batida “apenas” pelo Brasil de Pelé e Garrincha.

Seleção sueca vice-campeã da Copa de 58
Seleção sueca vice-campeã da Copa de 58.

Ok, a comparação seria injusta com esses três colossos, ainda mais se falarmos dos seus feitos pelo Milan, mas vamos lembrar que, diferente do trio tema do post, houve outros jogadores que levaram a nação a fases decisivas de competições importantes.

A Suécia conseguiu mais dois resultados exuberantes na primeira metade dos anos 90, quando alcançou as semifinais da Eurocopa, que sediou em 1992 e o terceiro lugar na Copa do Mundo de 94, nos Estados Unidos.

Suécia semifinalista da Euro de 92
Suécia semifinalista da Euro de 92.

Henrik Larsson, sozinho, não deve nada ao país, já que quando se juntou à equipe de 92 para a Copa de 94 adicionou técnica e velocidade a um time que já contava com nomes como Martin Dahlin, Tomas Brolin, Kennet Andersson, Thomas Ravelli e Jonas Thern.

Ibra/Larsson/Ljungberg -, Larsson, Ravelli e Kennet Andersson com a medalha de 3º lugar da Copa de 94
Brolin, Larsson, Ravelli e Kennet Andersson com a medalha de 3º lugar da Copa de 94.

É bom contextualizar que Ibra/Larsson/Ljungberg são de gerações razoavelmente distantes, sendo Ibrahimovic o mais novo, nascido em 81, seguido por Ljungberg de 77 e Larsson de 71.

Ibra/Larsson/Ljungberg

Euro 2000

Ibra/Larsson/Ljungberg - logo da Euro 2000

Depois de não conseguir se classificar para a Euro 96 e o Mundial de 98, a Suécia chegava à Eurocopa de 2000 esperando os bons momentos de outrora.

Larsson marcou três e Ljungberg um ao longo da fase de qualificação, onde a Suécia terminou invicta, com 7 vitórias e um empate, empurrando a Inglaterra para a repescagem.

Larsson, já com 29 anos, voltava de uma seríssima lesão onde quebrou sua perna em dois lugares. A boa notícia era que antes disso ele vinha metendo gol de tudo que era jeito no Celtic da Escócia.

Ibra/Larsson/Ljungberg - Lesão horrível sofrida por Larsson
Lesão horrível sofrida por Larsson.

Ljungberg, com 23, estava no seu segundo ano de Arsenal, onde viria a ser multi-campeão nos anos que se seguiram. Na seleção, já era referência do time.

Ibra/Larsson/Ljungberg - Ljungberg atuando pelo Arsenal em 2000.
Ljungberg, com seu icônico penteado, atuando pelo Arsenal em 2000.

Ibrahimovic, com 19, ainda estava no Malmö , onde era uma promessa que fazia parte apenas das seleções de base.

Ibra/Larsson/Ljungberg - Foto de Ibra no tempo de Malmö.
Ibra/Larsson/Ljungberg – Ibra era uma promessa de craque no Malmö.

O desempenho da Suécia na Euro 2000 foi um fiasco, um empate e duas derrotas, terminando em última no grupo que ainda contava com Bélgica, Itália e Turquia.

Ljungberg e Larsson jogaram juntos por duas partidas, no empate com a Turquia e na derrota para a Itália, onde Larsson deixou o seu.

Ibra/Larsson/Ljungberg - foto de Larsson tentado driblar o goleiro Toldo.
Larsson marcou contra Itália, mas a Suécia não empolgou.

Ibra/Larsson/Ljungberg

Copa de 2002

Ibra/Larsson/Ljungberg -Logo da Copa de 2002

A copa de 2002 foi a primeira competição oficial onde o trio estava presente na seleção, por mais que não todos no time titular. A fase de classificação, mais uma vez, deu esperanças: 8 vitórias, 2 empates e nenhuma derrota. Larsson foi o artilheiro com 8 gols. Ibra também deixou o dele na campanha.

Ljungberg seguia forte sua carreira no Arsenal, aos 25, onde acabara de ser campeão inglês e da Copa da Inglaterra.

Ibra/Larsson/Ljungberg - Ljungberg campeão inglês de 01-02
Ljungberg campeão inglês de 01-02.

Larsson foi campeão escocês e artilheiro da liga da Escócia, metendo 29 gols pelo Celtic.

Ibra/Larsson/Ljungberg - Foto de Larsson comemorando o título escocês da temporada 2001 2002.
Larsson campeão escocês com o Celtic.

Ibra foi vendido para o Ajax por cerca de 7.8 milhões de euros, porém sua primeira temporada na Holanda não vinha sendo boa, com apenas 9 gols em 33 jogos, apesar disso fez parte do time que fez a dobradinha naquele ano.

Apresentação de Ibra no Ajax.
Ibra na sua apresentação no Ajax ao lado de Leo Beenhakker.

Cair nas oitavas poderia até não ser tão decepcionante se não fosse a primeira fase tão boa. Com Larsson e Ljungberg jogando muito bem e se entendendo em campo, a Suécia conseguiu vencer o grupo da morte que tinha Argentina, Inglaterra e Nigéria.

Após o empate com os ingleses, a vitória de 2-1 frente a Nigéria animou com a atuação sublime de Larsson, que marcou dois gols. O lado ruim foi que esse foi o último jogo de Ljungberg, que não aguentou continuar devido a uma lesão insistente no quadril.

No empate derradeiro com a Argentina, que selou a classificação, brilhou a estrela de Anders Svensson, com uma pintura de falta e ótima atuação. Ibra estreou na Copa no minuto 88, no lugar de Larsson.

Nas oitavas de final, apesar de Larsson ter feito um de cabeça contra o Senegal, que vinha sendo sensação daquela Copa, a Suécia tomou dois de Kamara, o segundo de ouro na prorrogação, e viu suas perspectivas de ir longe escoarem pelo ralo.

Kamara acabou com as esperanças suecas.

O detalhe que precisa ser pinçado dessa partida é o lance onde Ibra parte da ponta, corta para dentro, vê dois companheiros livres e chuta quase sem ângulo em cima do goleiro. Se ele tocasse a bola, a história poderia ser diferente.

Ibra não passou a bola.

Ibra/Larsson/Ljungberg

Euro 2004

A Euro 2004 testemunhou o melhor desempenho do trio,pois agora Ibra não era mais nem promessa nem reserva e sim um dos melhores atacantes da Europa que seria vendido a Juventus por 16 milhões de euros ao final da competição.

Ibra sendo apresentado na Juventus com Fabio Capello.

A Suécia venceu o seu grupo nas eliminatórias com 5 vitórias, 2 empates e uma derrota vexatória para a Letônia em casa, quando já estava classificada. Ibra fez três gols durante a campanha e Ljungberg um.

Ljungberg, aliás, acabara de ser campeão inglês invicto em um time histórico do Arsenal como peça chave no meio campo do time londrino.

Ljungberg entrou para a história com o Arsenal invencível de 03-04.

Larsson, aos 33 anos, mais uma vez foi campeão e artilheiro do campeonato escocês com o Celtic, o que levou o atacante a ser contratado pelo Barcelona quando seu contrato se encerrou ao fim da temporada 03/04.

Larsson sendo apresentado no Barça:
ainda havia lenha para queimar.

No grupo C, junto com Bulgária, Itália e a rival escandinava Dinamarca, se imaginava uma briga ferrenha pelo segundo lugar, tendo em vista a força da azurra.

Mas como dito acima, esse foi o melhor momento dos três e isso se viu logo na primeira partida: 5×0 nos búlgaros, com participação direta do trio em todos os gols.

No primeiro, assistência açucarada de Ibra para Ljungberg abrir o placar, seguido pelo peixinho de almanaque de Larsson para dobrar a conta, que não pararia por aí.

Larsson anotou o segundo dele após aproveitar uma bola cruzada. A sacramentação da goleada veio através de penalty sofrido por Ljungberg, convertido por Ibra. E a humilhação búlgara se completou após Larsson deixar Allbäck na cara do gol. 5×0 na estreia era algo que saltava, e muito, aos olhos.

No 1×1 com a Itália, o trio jogou bem, mas todo o protagonismo da partida ficou por conta do golaço de empate, marcado por Ibrahimovic com um calcanhar de cobertura que é lembrado até hoje.

No empate de 2×2 com a Dinamarca, se destacou a bela cavada de penalty dada por Larsson que fez com que ele mesmo convertesse. Mattias Jonson marcou o outro tento sueco quase nos acréscimos do segundo tempo.

No final, todos os prognósticos foram por água abaixo: Suécia em primeiro e Dinamarca em segundo. Itália eliminada junto com a Bulgária.

No 0x0 contra a Holanda, nas oitavas que levou a partida para os penaltys, Larsson bateu muito bem, Ibra isolou a pelota para fora e Ljungberg quase perdeu, após a bola bater na trave e nas costas de Van der Sar, antes de entrar.

Cocu mandou a bola na trave e fez a Suécia e, principalmente, Ibra respirar. Wihelmson e Makaay converteram os seus. E nas cobranças alternadas, Melberg teve o seu penalty defendido por Van der Sar e Robben selou a passagem dos holandeses às semifinais.

De todas as participações do trio em competições oficiais, essa foi a melhor e mais lembrada, por mais que Ibra tenha sido um dos vilões da eliminação.

Ibra isolando o penalty.

Ibra/Larsson/Ljungberg

Copa de 2006

Na Copa do Mundo de 2006, o trio mais uma vez chegava absoluto no time sueco, que era uma das seleções candidatas a ir longe naquele mundial. Seu grupo era o B, ao lado de Inglaterra, Paraguai e Trinidad e Tobago.

Ibra já era um dos melhores jogadores do mundo e atuava na Juventus, campeã italiana.

Ibra era peça fundamental da Juve campeã da temporada 05-06.

Ljungberg tinha acabado de ser vice-campeão da Champions League com o Arsenal.

Ljungberg com a medalha de vice da Champions 05-06.

O interminável Larsson, aos 35, tinha acabado de ser campeão espanhol e da Champions League com o Barcelona, batendo o Arsenal de Ljungberg.

Detalhe que o atacante foi parte primordial do título da Champions do Barça, saindo do banco e dando as duas assistências para os gols de empate e virada.

Larsson foi fundamental para o título da Champions 05-06 do time catalão.

A Suécia terminou empatada nas eliminatórias com a Croácia, ficando em segundo pelos critérios de desempate. Oito vitórias e duas derrotas. O trio estava “on fire”, pois dos 30 gols da Suécia na campanha, 20 saíram dos pés deles. Ibra foi o artilheiro com oito, seguido de Ljungberg com 7 e Larsson com 5.

Isso fez com que fosse uma bela decepção o empate de 0x0 frente aos trinitários, tanto pelo volume de chances não finalizadas por Ibra e Larsson, quanto por passar praticamente a segunda parte do jogo toda com um jogador a mais, após a expulsão de Avery John, com um minuto do segundo tempo.

Na segunda rodada, frente um adversário mais qualificado, a mesma situação, chances desperdiçadas. Dentre elas uma incrível que Allbäck madou por cima do goleiro e viu o defensor paraguaio salvar em cima da linha.

Times que não jogam bem, mas contam com jogadores de talento, sempre são perigosos e essa tese mais uma vez foi comprovada, após Ljungberg fazer o gol da vitória aos 43 do segundo tempo de cabeça. Justiça seja feita, a assistência foi de Allbäck, no 2×2.

Contra os ingleses, o abafa na área prevaleceu e Allbäck e Larsson aproveitaram para deixar os seus. Um aproveitando um escanteio no primeiro pau e o outro um lateral na área, respectivamente.

No jogo da eliminação para a Alemanha, tudo foi resolvido no primeiro tempo. Apenas duas chegadas perigosas com Ibra e Larsson. Em contrapartida, a Alemanha chegou aos montes e, ao final do primeiro tempo, a Suécia perdia por 2-0 com um jogador a menos, após a expulsão de Lučić.

Aos 7 da segunda etapa, Ibra fez boa jogada pela ponta esquerda e cruzou no pé de Larsson, que foi derrubado na área. A esperança voltou e foi embora rapidinho após o jogador bater o penalty para fora.

No resto do jogo, a Suécia não fez mais nada e teve que agradecer aos céus por não ter sido goleada, já que a Alemanha teve chances de fazer mais dois, no mínimo.

Ibra/Larsson/Ljungberg

Euro 2008

A Euro de 2008 foi a última competição do trio e também não podia ser diferente, já que Larsson com 37 anos, havia voltado a jogar na Suécia, no Helsingborg para a parte final de sua brilhante carreira.

Quanto ao resto do trio, Ljungberg com 31 anos já havia saído do Arsenal para um time menor da Inglaterra, o West Ham, onde ficou uma temporada e após a Euro já estava rumando para os EUA jogar no Seattle Sounders da MLS.

Ibra, com seus 27 e de casa nova, ainda era um dos melhores jogadores do mundo, superando uma lesão que atrapalhou sua temporada, sendo campeão italiano com a Inter de Milão da temporada 07-08, marcando 17 gols.

Ibra/Larsson/Ljungberg Euro 2008: Larsson e Ljungberg saindo dos grandes centros e Ibra ainda no topo.

Ficou atrás da Espanha nas eliminatórias, indo à Euro com 8 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Dessa vez, Ljungberg foi o único do trio a balançar as redes com apenas um golzinho.

No primeiro jogo contra a Grécia, aquela esperança de ir longe voltava novamente, após Ibra tabelar com Larsson e fuzilar o goleiro Nikopolidis para fazer o primeiro e Elmander brigar na área, para a bola sobrar para Hansson fazer o segundo.

Ainda haviam Espanha e Rússia no grupo. Contra os espanhóis, que contavam com a melhor geração de sua história, saiu atrás, mas conseguiu empatar com Ibra usando toda a sua força de proteção de bola para anular Sergio Ramos e chutar certeiro.

Faltando 1 minuto para acabar o jogo, uma bola perdida no ataque originou o contra ataque espanhol que acabou no gol de Villa. Um balde de água fria nos suecos.

Contra a Rússia, uma cabeçada de Larsson na trave e outras chegadas tímidas com Ibra e Elmander foi o que resumiu o lado sueco, que foi absolutamente massacrado. 2-0 foi pouco, natural tendo em vista que o time tinha que se expor. Acabava assim a trajetória do trio na seleção.

https://www.youtube.com/watch?v=D7idmy4WakM

Ibra/Larsson/Ljungberg

O final

Ljungberg, ao final da Euro, anunciou a sua aposentadoria da seleção sueca.

No ano seguinte, Larsson também se retirou do futebol de seleções, após 16 anos de serviços prestados.

Ibra seguiu, agora como capitão, onde disputou mais duas Euros. Na de 2012 marcou 2 gols,um deles um golaço de voleio contra a França, mas novamente sendo eliminado cedo na primeira fase.

Na sua última competição com a seleção na Euro 2016, mais uma vez, a Suécia sequer chegou à segunda fase e o atacante saiu zerado, sem nenhum golzinho.

Euro 2016 foi a última competição de Ibra com a Suécia.

O mais curioso é que após a saída do último membro do trio, o país nórdico conseguiu fazer na Copa de 2018 o que não havia conseguido no período de Ibra/Larsson/Ljungberg.

Terminou a fase de grupos em primeiro e eliminou a Suíça nas oitavas para ser batido nas quartas pela Inglaterra. Esse foi o melhor resultado da Suécia em Copas desde 1994.

E nesse time não havia nenhuma estrela do futebol mundial, nenhum jogador atuava em clubes grandes da Europa. Vai entender o futebol, não é mesmo?

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