Munique 1860 – O clube que podia mais

Munique 1860 Hoje vamos falar de um clube que, apesar de ter uma rica história, com títulos e jogadores lendários, amarga uma fase que não parece ter fim.

Citar uma equipe de futebol na cidade de Munique é fácil, até quem não é muito chegado a futebol europeu vai lembrar do Bayern. Agora, se for para citar um outro time da cidade, convenhamos, tem que ser entendido nesse metiê. Vamos falar sobre a agremiação que já foi muito maior do que é em dias atuais.

Senhoras e senhores, lhes apresento o Turn- und Sportverein München von 1860 ou simplesmente Munique 1860, como é comummente chamado por aqui.

Munique 1860

O início

O início já foi conturbado, pois lá pelo ano de 1848, em um pub da cidade, o TSV já tinha as suas reuniões. No caso ainda era apenas um clube de ginástica. Porém durou pouco, pois em uma época onde revoltas estavam efervescendo na Alemanha, o grupo foi banido pela monarquia da Baviera por “atividades republicanas”, em 1849.

O restabelecimento veio em 1860, como Turnverein München. O departamento de futebol foi criado 39 anos depois, em 1899. Em 1911, foi adotado o leão em seu escudo, e em 1919 foi adotado o nome oficial de TSV München 1860, mas desde o início suas cores eram o azul celeste e branco.

Camisa do Munique 1860 da temporada 19/20

A associação, assim como todas naquela parte do mundo, foram obrigadas a ver a competição nacional ser totalmente reorganizada durante o terceiro Reich.

Antes disso, o TSV já era competitivo na Alemanha, mas foi apenas depois das mudanças que veio seu primeiro título e em 1941 ele ganhou a sua divisão regional. Em 1943 veio o primeiro título de peso para os Sechzig , a Copa da Alemanha, batendo o Schalke 04, bicho papão da época, na final.

Copa Alemanha de 43: o primeiro troféu de expressão do Munique 1860.
Copa Alemanha de 43: o primeiro troféu de expressão do Munique 1860.

Munique 1860

Ascensão no pós guerra

Com o fim da Segunda Guerra, o TSV sofreu seu primeiro rebaixamento para a segunda divisão, ficando lá por 3 anos. Após sua volta conseguiu o seu primeiro título de liga em 1963, o que lhes deu o direito de ingressar na recém criada liga de futebol profissional da Alemanha, a Bundesliga. 

Vale salientar que o 1860 conseguiu esse feito primeiro do que o Bayern, que teria que esperar ainda duas temporadas para entrar nesse clube, já que a federação de futebol alemã, à época, não queria dois times de uma mesma cidade na liga

Em 1964, veio outro troféu de expressão, a sua segunda Copa da Alemanha, ao fazer 2-0 no Eintracht Frankfurt, o que deu o direito de disputar a Recopa Europeia, competição que reunia os campeões de copas nacionais pelo continente.

E os leões não fizeram feio, pois foram até a final, caindo em Wembley frente ao forte West Ham, que contava com nada menos do que Bobby Moore.

Rudi Brunnenmeier, levanta o troféu de campeão da Copa da Alemanha em 64, segunda do Munique 1860.
Rudi Brunnenmeier, levanta o troféu de campeão da Copa da Alemanha em 64, segunda do clube.

O crescimento da equipe alviceleste teve seu ponto máximo no ano de 1966, quando alcançou o maior feito de sua história ao conquistar a Bundesliga.

E a cereja do bolo é que o TSV foi o primeiro time da cidade de Munique a ser campeão da liga mais importante da Alemanha. O Bayern pode até ter empilhado taças posteriormente, mas esse feito ficou na história e ninguém tira.

Munique 1860 campeão da Bundesliga de 1964, maior glória do clube.
Munique 1860 campeão da Bundesliga de 1964, maior glória do clube.

Como campeão da Alemanha, participou da Copa dos Campeões de 67. E após enfiar 10-1 no agreado no Omonia do Chipre, na primeira rodada, foi eliminado pelo Real Madrid na segunda, mas o ano não foi de todo o mal, já que veio o vice-campeonato da Bundesliga. Nessa época, o clube era conhecido como um dos mais fortes da Alemanha, inclusive maior do que o FC Bayern.

Munique 1860

A queda e o ostracismo.

O 1860 caiu vertiginosamente com atuações sofríveis e deixou de figurar entre os melhores do país ao final dos anos 60 e início dos 70. O clube, que outrora foi o melhor da nação, se tornara um “time iô-iô”, sendo rebaixado, voltando e caindo de novo.

Mas o fundo do poço tinha um porão, pois os Die Löwen também enfrentaram uma gravíssima crise financeira, o que fez com que na temporada 81-82 não obtivessem a licença da federação alemã. Sendo assim, rebaixados para as divisões regionais da Baviera.

A partir daí, foram 12 longos anos no ostracismo até 1994, quando o time conseguiu voltar à elite terminando em 14º, apenas 2 posições acima do rebaixamento.

Temendo uma nova queda, o clube fez um trabalho para que pudesse ser mais estável, então o presidente Karl-Heinz Wildmoser e o treinador  Werner Lorant, fizeram uma série de contratações para que o TSV subisse o patamar.

Lorant e Wildmoser
Lorant e Wildmoser

Durante esse período, passaram por lá estrelas do futebol como  Davor Suker, Abedi Pelé e  Thomas Hassler. Mesmo não sendo estrela, outro atleta que veio nessa leva e marcou história foi Martin Max, o atacante foi artilheiro duas vezes da Bundesliga com a camisa celeste e chegou a ser considerado para disputar a Copa de 2002.

Suker, Abedi Pelé, Thomas Hassler e Martin Max com a camisa do Munique 1860.
Suker, Abedi Pelé, Thomas Hassler e Martin Max

Munique 1860 Renascimento?

Depois de fugir da degola, a partir da temporada 95/96, o Munique 1860 voltou a ser um time respeitável de primeira divisão, se destacando o 4º lugar  em 2000 e se classificando para UEFA Champions League do ano seguinte, onde caiu para o Leeds United na 3ª rodada e sendo jogado para a Copa da UEFA, onde foram eliminados pelo Parma também na 3ª ronda. 

Assim como na primeira parte da sua história havia um vislumbre de que os leões se estabilizassem como um time grande na Alemanha, ledo engano (de novo). Os 60 começaram a jogar de forma sofrível, o que causou a demissão de Lorant, e após uma década na elite do futebol alemão, o clube foi rebaixado na temporada 2003/2004. E como desgraça pouca é bobagem…

Nesse período, o presidente Wildmoser fechou um acordo com o Bayern para que os dois clubes da cidade dividissem a propriedade no novo estádio a ser construído na região, a Allianz Arena. 

Wildmoser e Beckenbauer na apresentação da parceria pela Allianz Arena.
Wildmoser e Beckenbauer na apresentação da parceria pela Allianz Arena.

Não é preciso nem falar que a torcida ficou p*** e fez com que houvesse protestos por dividir algo com um rival. Só isso já era um fato polêmico, mas ficou pior quando ele e seu filho foram pegos em um escândalo de suborno nos contratos da construção do estádio.

Como consequência, o pai renunciou à presidência do 1860, já Wildmoser Jr. foi considerado culpado e sentenciado a 4 anos e meio de prisão pela corte de Munique.

O clube também voltou a sofrer com problemas financeiros e teve que ser ajudado justamente pelo seu maior rival, pois se viu obrigado a vender, em 2006, os seus 50% dos direitos sobre a Allianz Arena para o Bayern, por 11 milhões de Euros, valor baixíssimo, mas que foi o suficiente para que os  Sechzig conseguissem evitar a falência e pegar a licença da federação alemã.

Atualmente, o time se encontra na segunda divisão e retornou a mandar seus jogos no Grünwalder Stadion.

 Grünwalder Stadion: é lá onde o Munique 1860 sonha em voltar a dias melhores.
 Grünwalder Stadion: é lá onde o Munique 1860 sonha em voltar a dias melhores.

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