IFK Gotemburgo: o único escandinavo campeão europeu.

IFK Gotemburgo – Os escandinavos são vistos com respeito pela comunidade do futebol mundial. Exemplos de seleções marcantes e de jogadores atuando nos melhores clubes do mundo são incontáveis.

Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia e Islândia (esses dois últimos tecnicamente também podem ser considerados escandinavos) mais recentemente conseguiram emplacar atletas em grandes ligas e fizeram barulho em competições oficiais, no caso, os dinamarqueses que ganharam a Eurocopa de 92 e a Suécia que disputou final de copa do mundo em 58.

Foto da seleção dinamarquesa levantado o troféu da Eurocopa de 92.
Dinamarca: campeã europeia em 92.

O padrão para muitos sempre foi esse: o menino começa a se interessar pelo futebol, desenvolve o talento, faz “um bonito” na sua equipe local ou na seleção, chama atenção de colossos pelo velho continente e assim vão embora para virarem estrelas. 

Só que houve um tempo onde os próprios times da região eram fortes no cenário europeu, e com certeza o maior expoente foi o time da cidade que ganhou mais troféus continentais do que muitos “novos ricos” por aí.

IFK Gotemburgo, o único escandinavo campeão europeu.

Escudo do IFK Gotemburgo.

O Idrottsföreningen Kamraterna Göteborg que obviamente será chamado de IFK Gotemburgo  nessa matéria, carrega o nome da sua cidade natal, que também é conhecida como “Pequena Londres” e “Nova Amsterdam”. 

O clube foi fundado em 1904 e é oriundo de uma organização chamada “Camaradas da Sociedade Esportiva” que leva a sigla no idioma original de IFK (Idrottsföreningen Kamraterna) e tem controle não apenas sobre a equipe que estamos falando, mas sobre muitas outras. Tudo o que ela toca começa com IFK, até por isso um dos apelidos do time é “os camaradas”.

Símbolo do "Camaradas da Sociedade Esportiva"
Símbolo da “Camaradas da Sociedade Esportiva”.

Sempre levando o brasão das armas de Gotemburgo em seu escudo, o clube de maior torcida da Suécia (cerca de 10% da população) tinha ideia de ter a clássica camisa branca listrada de azul desde o início, porém, por motivos financeiros, não foi possível, pois à época era muito custoso produzir um uniforme assim, por isso o fardamento foi mudando até achegar ao atual, mas uma coisa nunca mudou: as cores azul e branca, da IFK.

Camisa do IFK Gotemburgo.

Rivalidades

A rivalidade com os outros grandes do país é intensa, principalmente com o AIK e o Malmö. Com os adversários da mesma cidade, até há rivalidade, mas com um detalhe importante: IFK, GAIS e Örgryte fundaram, em 1921, a “Aliança de Gotemburgo”, que juntou os times da cidade para dividir o mesmo estádio e fazer uma seleção dos seus melhores para realizar jogos contra grandes equipes para arrecadar fundos.

O Primeiro título europeu do IFK Gotemburgo

Por falar em questões financeiras, em 1982, ano em que se sagrou campeão da Copa da UEFA, o IFK Gotemburgo precisou que os seus torcedores emprestassem dinheiro para que fosse possível a viagem à Espanha, onde enfrentariam o Valencia, ainda pelas quartas de final. O jogo terminou em 2-2 e na volta um 2-0 selou a vaga para as semifinais, onde despacharam o Kaiserslautern, da Alemanha, com um gol na prorrogação de Stig Fredriksson, lenda do clube que ainda representou a seleção sueca por 56 vezes.

Foto de Stig Fredriksson

Na final, outro germânico pela frente, dessa vez o Hamburgo, que, só para um posicionamento histórico, era uma equipe fortíssima, pois além de ser o campeão da Alemanha, viria a conquistar a Copa dos Campeões (atual Champions League) no ano seguinte. Na época, a final também era jogada em duas partidas, a primeira na Suécia, em um gramado em péssimas condições no Estádio Ullevi, o IFK conseguiu um gol sofrido e importantíssimo aos 43 minutos do segundo tempo, através de Tord Holmgren que tirou vantagem de uma rara bobeada da defesa alemã, aproveitando uma bola pingada e colocando no canto do goleiro.

Conny Karlsson com a taça de campeão da Copa da UEFA de 82
O capitão Conny Karlsson com a Taça da Copa UEFA de 82.

Esse gol foi crucial, pois obrigou o adversário a sair para o ataque no jogo de volta no Volksparkstadion. E sim, eles saíram, não fizeram gol e se expuseram. Resultado: 3-0 para os comandados do mítico Sven-Göran Eriksson. Foi uma verdadeira façanha, nunca um time escandinavo havia levantado um troféu europeu. Vale ressaltar que Torbjörn Nilsson, que marcou na segunda partida, foi o artilheiro da competição, com 9 gols.

Foto de Nilsson atuando pelo IFK Gotemburgo.
Torbjörn Nilsson: 212 jogos e 127 gols pelo IFK.

O segundo título Europeu do IFK Gotemburgo

A história poderia acabar por aí, mas ainda haveria mais pela frente. Quatro anos depois, em 1987, quando a equipe já era comandada por Gunder Bengtsson, o raio caiu no mesmo lugar. Após fazer 5-0 no agregado no Gent, da Bélgica, nas oitavas de final, enxergar a frente e ver um confronto com a Inter de Milão de Zenga, Bergomi e Passarella poderia dar a sensação de que o time havia chegado até onde dava, porém isso acabou motivando ainda mais.

Capitães de Inter de Milão e IFK Gotemburgo se cumprimentam antes do jogo.
IFK x Inter de Milão, em 82.

Mas não foi fácil! Após um 0-0 de novo com um gramado péssimo, jogando no país nórdico, a boa notícia era que qualquer empate com gols seria bem-vindo devido ao critério do gol marcado fora de casa. E foi exatamente isso que aconteceu, mas foi às duras penas, já que aos 12 do segundo tempo, após o gol contra bizarro de Stig Fredriksson, um dos heróis de 82, o IFK sabia que teria pouco mais de meia hora para fazer um tento que o salvasse. E ele veio “na base do abafa”  após Zenga conceder o rebote, depois de uma cabeçada que Stefan Pettersson empurrou para dentro da meta. Mas acredite, ele não foi o único herói, pois momentos antes, o goleiro Thomas Wernersson salvou o segundo gol dos italianos que provavelmente mataria o jogo.

Foto de Daniel Passarella
Daniel Passarella, um dos destaques da Inter da época.

Nas semis, com tranquilidade, despachou o Swarovski Tirol da Áustria, com um 4-1 em casa e um 1-0 fora. Próximo passo: final contra o Dundee United que, por mais que não fosse um gigante da Escócia como Celtic e Rangers, mesmo assim preocupava, pois também tombou um titã nas quartas de final, no caso o Barcelona. E as duas partidas foram bem disputadas, pois no primeiro jogo, em Gotemburgo, a vitória de 1-0 foi considerada razoável para a partida decisiva no Reino Unido. E isso foi graças, de novo, a Stefan Pettersson que cabeceou para dar a vantagem mínima para a parte 2 do confronto.

Foto de Stefan Pettersson com a camisa do IFK Gotemburgo.
Stefan Pettersson, lenda do IFK.

O jogo da volta foi até mais fácil, pois as constantes chegadas ao ataque deram fruto aos 22 do primeiro tempo, com Lennart Nilsson, que após uma bola longa na ponta conseguiu dominar, trazer para dentro e botar no cantinho. Com isso, os escoceses tinham que fazer 3 gols em 68 minutos, e somando a partida anterior não haviam feito nada em 112. No final, só fizeram um aos 15 da segunda etapa e por mais que tenha sido um belo tento de John Clark, parou por aí.

Final de jogo 1-1 e 2-1 para os suecos no agreado. O IFK Gotemburgo além de ter sido o único time escandinavo a conquistar a Europa, agora o clube havia feito isso duas vezes, deixando os seus rivais meio sem argumento em qualquer discussão futebolística.

Jogadores do IFK Gotemburgo carregando a taça da Copa da UEFA de 1987.
IFK bicampeão da Copa da UEFA.

Indo bem na Champions

Nos anos posteriores o clube chegou a fazer boas campanhas na UEFA Champions League, destacando duas vitórias sobre o PSV na temporada 92/93, onde ficou em segundo em um grupo que ainda contava com Milan e Porto. Vale lembrar que na época só o primeiro colocado passava de fase. E essa instituição provou 2 anos depois, na temporada 94/95, que sempre pode surpreender novamente.

Foto de Cruyff passando isntruções à beira do campo para Guardiola.
Barcelona de Cruyff e do jovem meia Guardiola seria adversário do IFK.

O grupo que os azuis e brancos caíram tinha “apenas” o Barcelona de Cruyff, o United de Alex Ferguson e o forte time do Galatasaray que via o jovem Hakan Sükür surgindo como futura estrela do futebol turco. E ele se classificou mesmo com esses grandes desafios. Depois de uma estreia perdendo de 4-2, no Old Tradford para o Manchester United, o time não perdeu mais. 

Conseguiu se recuperar no grupo batendo o Barça, no Ullevi por 2-1, gol no finalzinho marcado por Jesper Blomqvist, meia que havia sido 3º colocado com a seleção sueca na copa dos Estados Unidos meses antes e depois despontou para uma carreira internacional de sucesso.

A partir daí, 3 vitórias seguidas, dentro e fora, frente Galatasaray e nos seus domínios contra os Red Devils por 3-1 e finalizou empatando novamente com o Barcelona no Camp Nou com um gol, de novo, no finalzinho do jogo.

Foto de Roy Keane e Beckham na época que enfrentaram o IFK Gotemburgo.
Roy Keane e David Beckham estavam surgindo na temporada 94/95.

Nas quartas de final enfrentou  o todo poderoso Bayern de Munique e não fez feio, pois foi eliminado pela regra de gols fora. Empataram na Alemanha por 0-0. Na suécia, “os camaradas” até chegaram a empatar depois de estarem perdendo por 2-0, porém o segundo gol veio muito tarde e com isso os alemães passaram de fase.

Nos dias atuais, assim como qualquer time que não faça parte de uma liga rica, o IFK não consegue mais fazer boas campanhas em torneios europeus, muito por não conseguir manter seus melhores jogadores, porém ainda é e sempre será competitivo na Suécia.

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Equipe FCA

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